sexta-feira, 13 de julho de 2012

Varejo Responsável: prepare sua empresa para os desafios do futuro

Pesquisa desenvolvida pela Fundação Dom Cabral aponta tendências de mercado e evidencia benefícios para os negócios que se adequarem às novas formas de produção e comercialização

Matéria publicada na revista Visão Empresarial ACIP



Empreender esforços e realizar investimentos em prol da responsabilidade social e da sustentabilidade ainda são tarefas pouco executadas nas micro e pequenas empresas, em parte pela dificuldade de entendimento sobre os temas, em parte por envolver novas questões relacionadas ao consumo que precisam passar por melhores debates a fim de facilitar a aplicação de estratégias que beneficiem o varejo e a sociedade simultaneamente.
O Centro de Desenvolvimento do Varejo Responsável (CDVR) da Fundação Dom Cabral, criado em 2007, desenvolveu um estudo para identificar elementos importantes para a construção de um "Código de Conduta do Varejo Responsável" e de um "Modelo do Varejo do Futuro", no intuito de fornecer subsídios importantes para o desenvolvimento de novas formas de produção, comercialização e consumo, que definam novos princípios e valores para fortalecer as relações comerciais e o futuro sustentável da sociedade brasileira.
A pesquisa, além de conscientizar empresários e consumidores sobre a importância da readequação de processos, atividades e hábitos, promove a compreensão das tendências de mercado para que as empresas, a população e os órgãos reguladores possam se preparar para os novos desafios que estão por vir.
Segundo o estudo, as empresas devem trabalhar pela sustentabilidade e direcionar-se em busca de práticas de conduta do varejo responsável por muitas razões, dentre elas:
- Receio da escassez de recursos naturais – tentativa de diminuir esse problema por meio de uma exploração que não considere apenas a dimensão econômica, o lucro a qualquer custo, mas também as implicações sociais e ambientais, respeitando a capacidade de reposição do planeta;
- Pressão dos consumidores – cada vez mais exigentes, os consumidores querem informações detalhadas sobre os produtos que estão consumindo, os malefícios que podem causar à saúde, os materiais utilizados na fabricação, se a empresa possui certificação ambiental, se adere a iniciativas em prol da sustentabilidade, entre outros detalhes. Tais exigências, estarão cada vez mais presentes na mente dos consumidores, influenciando suas escolhas e decisões de compra;
- Pressão da mídia - resultado da mudança da sociedade, reflete aquilo que as pessoas aprovam ou desaprovam, contribuindo para evidenciar condutas socialmente responsáveis e cobrar pelas mudanças necessárias ao bem comum;
- Antecipar-se à regulação global – assumir o controle do negócio para influenciar e construir o futuro. Antecipar-se à regulação legal, propondo políticas e iniciativas inovadoras é fator-chave de sucesso e continuidade;
- Busca de lucro – as empresas percebem que os consumidores passaram a considerar preocupações sociais e ambientais no processo de compra. Por outro lado, a busca do lucro é parte legítima do esforço pela sustentabilidade em um mercado capitalista. Por isso, o consumidor que somente exigir preço, inovação e qualidade das empresas sem cobrar pelos cuidados ambientais e sociais também será responsável por produzir negócios não sustentáveis, já que o modelo de empresas que temos hoje é resultado de como o mercado opera. Assim, se o mercado define o modelo, vemos que ele já está em processo de mudança, fazendo com que as empresas também mudem para garantir suas participações nesse novo mercado a partir da adoção de comportamentos adequados nas dimensões ambientais e sociais.

A pesquisa ainda ressalta que existem três grandes questões sobre sustentabilidade que chamam a atenção dos varejistas: as mudanças climáticas, os resíduos e a cadeia de suprimentos. As embalagens são o grande foco, a questão mais tangível de sustentabilidade para o varejo. Há um grande apelo pela redução do uso de embalagens descartáveis no mundo todo, mas os esforços para promover essa diminuição ainda estão longe do ideal, considerando as normas de reciclagem e a ênfase atual na educação para a reutilização.

Tendências do Varejo

No item “Em busca do varejo do futuro”, o estudo evidenciou sete tendências-chave identificadas pelo CEO da empresa Tesco, Terry Leahy:

- O desejo dos consumidores pela simplicidade – empresas que fabricam ou vendem produtos e serviços que facilitem a vida dos consumidores serão muito bem recompensadas;
- O desejo dos consumidores de poupar tempo – “as pessoas estão trabalhando até mais tarde, e então querem comprar algo a caminho de casa. As lojas de conveniência de compras rápidas são o formato mais popular hoje em dia”;
- O fator “Imortalidade” – os consumidores buscam alimentos saudáveis e produtos de beleza, entre outros produtos e serviços que retardem o envelhecimento;
- Globalização – os impactos da globalização trazem cada vez mais oportunidades de expandir mercados e negócios pelo mundo;
- O acesso dos consumidores à informação – os consumidores podem comparar preços com apenas um clique no mouse e também “podem observar as práticas éticas ou ambientais de um varejista e descobrir o que está sendo dito dele em qualquer lugar do mundo”;
- A importância da confiança - cada vez mais importante para os consumidores, exige tempo para que seja construída e pode ser abalada num instante;
- O consumismo "verde" - os consumidores estão cada vez mais conscientes de suas pegadas de carbono e desejam o auxílio das empresas para lidar com as mudanças climáticas.
Todas essas tendências demonstram uma grande oportunidade para as lojas menores, que possuem flexibilidade para ajustar sua oferta de produtos, ao contrário das grandes redes que comumente ficam ligadas aos fornecedores de grandes volumes.

Princípios do Varejo Responsável

Os Princípios Operacionais do Varejo Responsável definidos pelos estudos do CDVR da Fundação Dom Cabral no decorrer dos anos de 2008 e 2009, constituem-se de recomendações e sugestões de conduta a serem adotadas pelas empresas em suas práticas de gestão sustentável:
Procedência dos produtos
É preciso disponibilizar aos consumidores, de forma clara e transparente, informações referentes à origem e fabricação dos produtos comercializados e os impactos que causam no meio ambiente.
Cadeia de suprimentos
As empresas devem trabalhar em prol da ampliação dos conceitos de sustentabilidade em toda a cadeia de valor, incentivando a cooperação, a sustentabilidade nos acordos contratuais com fornecedores e em especificações públicas, além de não trabalhar com parceiros que comprovadamente não observam os direitos fundamentais dos trabalhadores estabelecidos pelas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Empregados
Os varejistas devem oferecer remunerações justas e locais de trabalho seguros, investindo na aprendizagem e no crescimento profissional dos funcionários e incentivando-os a levarem uma vida pessoal equilibrada e saudável.
Operações do varejo
As lojas e operações devem ser montadas com foco na sustentabilidade, com metas de zero desperdício e mínimo consumo de recursos e energia, além de operar com uma logística de baixo teor de carbono e contribuir para uma comunidade melhor. Os varejistas devem encorajar e permitir que seus consumidores tenham um estilo de vida de menor impacto, por meio da seleção de produtos sustentáveis e acesso a mais orientações sobre ofertas de serviços e descontos para usuários da internet.
Autorregulação
Empresas autorreguláveis, antecipam-se às exigências da legislação, controlando a sustentabilidade de seu negócio e servindo de exemplo para a sociedade.
Ética nos negócios
A concordância com as normas de sustentabilidade permite que a informação seja passada ao consumidor através de mensagens consistentes, gerando confiança e liderança. As empresas precisam preocupar-se em compensar os impactos econômicos, sociais e ambientais de seus negócios. Suas relações comerciais devem ser marcadas por comportamentos e valores éticos.
Marketing
Para divulgar produtos e serviços, os varejistas devem produzir conteúdos não enganosos, socialmente aceitos e em conformidade com as leis vigentes. As informações sobre a sustentabilidade de seus produtos e cadeias de suprimento devem ser divulgadas com total transparência, trabalhando para enfatizar a responsabilidade social vinculada à marca da empresa e a ética empregada em seus modelos de gestão. É preciso considerar o nível de interesse do consumidor ao informar sobre a procedência dos produtos, seus valores nutricionais e composições, transmitindo essas informações de forma clara, relevante e verdadeira.
Concorrentes
As empresas devem praticar a concorrência leal, utilizando-a como estímulo constante para a inovação e busca da excelência na qualidade dos produtos e serviços. Os varejistas devem praticar uma competição responsável pela sustentabilidade dos produtos e de recursos eficientes, considerando os impactos sobre a rentabilidade dos negócios.
Confiança
A construção sólida da confiança no varejo é conquistada através da transparência total na apresentação de relatórios da empresa sobre os impactos ao longo da cadeia de suprimentos.
Interatividade com o governo e a sociedade
Os varejistas devem participar das discussões sobre as questões que impactam seus negócios, dos debates sobre sustentabilidade e da difusão de conceitos e conhecimentos sobre responsabilidade social.
Meio ambiente
As empresas devem priorizar o respeito pela natureza, a redução dos impactos ambientais, promovendo ações de incentivo ao comprometimento das pessoas, aprimorando processos e aplicando as tecnologias adequadas voltadas ao desenvolvimento sustentável. Os varejistas também devem atuar intensamente para trabalhar a conscientização do consumidor e reduzir a utilização de embalagens descartáveis, além de mensurar os impactos que suas atividades geram no clima.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Jornalismo Ambiental: iniciativas que informam, conscientizam e educam para o futuro



Aquecimento global, desmatamento, reciclagem, consumismo, saneamento básico e utilização adequada dos recursos naturais são alguns dos temas que têm ganhado destaque em matérias, reportagens, artigos e programas de rádio e televisão veiculados pela mídia nacional e local. A necessidade crescente de promover discussões e reflexões sobre o Meio Ambiente, já que pesquisas e estudos demonstram que o planeta caminha para um futuro nada promissor para as próximas gerações devido à falta de preservação, traz mais uma responsabilidade de extrema importância para o jornalismo formador de opinião pública que tem como principais funções proporcionar à população informação de qualidade e desempenhar papel primordial no desenvolvimento da sociedade em que atua.
Ao abordar assuntos referentes ao Meio Ambiente, o jornalismo colabora para a conscientização constante do público sobre seus hábitos e atitudes diante da necessidade de poluir menos, preservar mais e consequentemente garantir que o planeta não seja condenado a perder seu potencial de vida. A importância da sustentabilidade começa a entrar nas casas dos brasileiros e figurar no cenário econômico como fator considerável na participação dos investimentos das empresas e indústrias, que agora precisam atender um público cada vez mais informado e exigente quanto aos produtos e serviços consumidos.
Em Ribeirão Preto o jornalismo ambiental dá seus primeiros passos rumo à conscientização da comunidade. As iniciativas começam a surgir, mas muito ainda pode ser feito para melhor informar sobre o assunto na cidade e também na região. Podemos citar como exemplo, o sucesso do investimento da EPTV na produção do programa e da revista Terra da Gente, que abrange diversas cidades do Brasil e destaca-se em Ribeirão Preto como referência quando o tema é difusão dos conhecimentos sobre preservação da fauna e da flora.
Também figura como importante canal de comunicação ambiental, o programa Caminhos da Roça, que abrange o interior de São Paulo e o Sul de Minas Gerais e dispõe de jornalistas especializados para tratar de investimentos e novas tecnologias que visam o desenvolvimento sustentável do país na agricultura e pecuária, além de abordar a agroecologia, difundindo métodos de produção que não agridem o Meio Ambiente e protegem as reservas de água.
Outra iniciativa importante para a cidade parte da USP de Ribeirão Preto, onde é produzido o programa de rádio Ambiente é o Meio, focado em discutir temas cotidianos com a população de maneira a praticar a educação ambiental, atingindo todas as faixas etárias e níveis de conhecimento através de uma linguagem simples e direta. Queimadas urbanas, alimentação saudável, energia, combustíveis, lixo e uso racional da água são debatidos por ambientalistas, educadores e jornalistas que buscam levar informações relevantes à sociedade que as colocará em prática.
A quantidade de empresas e cidadãos que praticam a responsabilidade social desenvolvendo ações que priorizam a qualidade de vida e a sustentabilidade tem crescido substancialmente, porém sempre haverá espaço para aprimorar a qualidade e a quantidade das informações que chegam até os empresários e a população em geral com a função de conscientizar sobre a importância das ações em prol do Meio Ambiente.
Os veículos de comunicação tem a missão contínua de desenvolver um trabalho aprofundado e constante na mídia local, proporcionando aos diversos temas ambientais merecido destaque, colocando-os em posição de editoria fixa nos jornais e informativos impressos e eletrônicos, em quadros e reportagens estruturados nos programas de tv e nos debates maciços das emissoras de rádio. Informar sobre Meio Ambiente é dever social do jornalismo de qualidade e aprimorar essa prática é função dos cursos de graduação, pois somente desta forma poderemos num futuro próximo, apreciar uma abordagem mais séria, aprofundada e intensa sobre um assunto que merece freqüente destaque na mídia.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sensacionalismo persiste no Jornalismo Online

A internet proporcionou uma grande evolução na maneira como as notícias são divulgadas, conferindo maior agilidade, atualização constante e acesso rápido, exatamente à um clique do computador mais próximo.
Modificações bem-vindas à adaptação da estrutura do texto para o meio virtual, como uma escrita mais objetiva, concisa e direta, diferenciada daquela habitual destinada à publicação em um jornal ou revista, vieram acompanhadas de uma abertura para a disseminação de um "vírus" nada agradável do jornalismo: o sensacionalismo, tão praticado por diversos meios de comunicação e que não contribui definitivamente para a produção de um jornalismo de qualidade e, muitas vezes, engana o leitor, que é surpreendido positivamente ou negativamente pela manchete de uma notícia e ao ler o texto percebe que a manchete foi falsa ou tendenciosa, com intenção de causar uma impressão errônea no leitor.
Ainda pior se torna o sensacionalismo quando ele passa a figurar não somente na manchete de uma notícia, mas também no desenvolvimento da notícia. Situações que não existiram, palavras que não foram ditas, tempo que não corresponde à realidade dos acontecimentos mascaram o assunto de modo a torná-lo mais interessante, chamativo, inacreditável e consequentemente mais lucrativo. A verdadeira derrocada e total extirpação do jornalismo digno que aprendemos a desenvolver e a apreciar e que pouco temos visto nos meios de comunicação, com destaque para os eletrônicos, que parecem eximir os veículos de qualquer responsabilidade, graças à rapidez com que as informações podem ser colocadas e retiradas de sites, portais e blogs.
O Jornalismo deve e precisa ser mais correto e imparcial, exterminando de vez com esse mal que perdura graças a falta de profissionalismo dos veículos de comunicação. Não pode ser normal e aceitável que os sites e portais lucrem a cada clique enganado dos internautas, pois a decepção perante uma notícia mal formulada é sempre grande. Nós, leitores e jornalistas somos os primeiros responsáveis por mudar essa realidade, incentivando as pessoas a manifestarem sua indignação junto aos veículos cada vez que se sentirem lesados pelo sensacionalismo descarado.
Podemos mudar essa prática, demonstrando indignação e uma das maneiras mais simples para se fazer isso, sem dúvida, é postando nossos comentários naquele espaço reservado sempre abaixo das notícias publicadas. Outros leitores, com toda certeza perceberão que não foram os únicos a terem sua inteligência subestimada e os escritores que tiveram a coragem de redigir e publicar a notícia, notarão que não é a melhor escolha optar pelo caminho do sensacionalismo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O fim dos livros, ou finalmente o digno começo?



A internet é mesmo uma ameaça aos livros? Ou seria uma forma de eternizá-los interrompendo a triste trajetória a que estão destinados - de serem escritos, publicados, lidos, esquecidos nas prateleiras e arruinados pelas traças? Ao meu ver, a internet possibilita uma saída mais que louvável para que os livros superem as barreiras físicas de acesso ao serem publicados virtualmente. O esquecimento e consequente destruição a que todo objeto material está destinado serão superados. A internet servirá aos livros como instrumento de divulgação que confere dignidade às obras de todas as áreas do conhecimento, extinguindo definitivamente as perdas incalculáveis e lastimáveis do saber humano, como pudemos observar tantas vezes em nossa história, a exemplo do incêndio na biblioteca de Alexandria e tantos outros incidentes memoráveis.
Os livros com certeza, desta forma, não acabarão. Serão publicados por muito tempo ainda de maneira a serem manuseados e transportados em bolsas, malas e caixas, porém, com o passar do tempo, seguirão os rumos da preservação ao meio ambiente (pensando não somente no uso do papel, mas também em seu descarte), da lógica que nos faz constatar que o virtual supera definitivamente a vida útil de qualquer publicação material e fundamentalmente, do direito de acesso ao saber pertencente a todos os cidadãos, estejam onde estiverem.
Sim, novas formas de produção, divulgação e utilização chegarão aos livros. Assim como tudo que existe no mundo passa por constantes modificações, não será diferente com nossos inestimáveis companheiros de aprendizado. A internet abriu um novo mundo aos olhos da humanidade e abre, sem dúvida, novas perspectivas e ideais para os futuros escritores e leitores. As expectativas são as melhores possíveis.
É certo que muito há de ser definido e adequado em questões relacionadas a direitos autorais e organização, mas a evolução trará as soluções necessárias. De nossa parte, cabe acompanhar, sugerir e incentivar os avanços que prezem pela devida divulgação do conhecimento, atualmente tão defasada. Que venha sim o fim dos livros esquecidos e empoeirados nas prateleiras e que esta inovação represente o começo de uma etapa que assegure às páginas valiosas, conservação, divulgação e reconhecimento dignos de seu conteúdo e importância.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Consumo Consciente: responsabilidade de todos nós


Para dar início às nossas discussões sobre meio ambiente, escolhi um tema ligado diretamente ao que a maioria das pessoas adora fazer: consumir. Já que nossa sociedade capitalista nos inspira com suas campanhas e apelos a ir às compras com bastante frequência, que pelo menos façamos isso com mais responsabilidade e consciência.
O Instituto Akatu (www.akatu.org.br) é um dos grandes responsáveis por conscientizar o cidadão brasileiro sobre a importância de seu papel como consumidor para viabilizar a sustentabilidade do planeta. Ele surgiu em 2000, quando o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (SRE) percebeu que as empresas somente colocariam em prática ações de responsabilidade social se seus consumidores valorizassem tais iniciativas na hora de optar pelos produtos e serviços que utilizam. Hoje, o instituto desenvolve um trabalho admirável, divulgando informações e incentivando práticas e projetos através de parcerias, sempre no intuito de fazer do consumo responsável um hábito para os brasileiros.
Segundo o Akatu, o consumo não acontece somente na hora da compra. Na verdade, o ato de consumir envolve seis etapas, normalmente realizadas de forma automática e muitas vezes até impulsiva. Antes de comprar temos que decidir o que consumir, como consumir, por que consumir e de quem consumir. Após a compra, ainda é necessário decidir como utilizar o que foi adquirido e como descartar.
Todas essas etapas são discutidas e trabalhadas pelo Instituto Akatu junto à população de forma a demonstrar a importância de realizá-las de forma racional e não impulsiva, pensando sempre se a compra é realmente necessária e se não representa uma agressão ao meio ambiente em alguma das etapas que envolvem o consumo. Sem dúvida, um grande desafio para todos nós, consumidores ativos, que pouco pensamos antes de comprar, utilizar e descartar qualquer objeto.
O consumismo com toda certeza será tema de muitos posts daqui para frente, mas neste já ficam quatro dicas muito interessantes do Instituto Akatu para quem deseja se conscientizar, exercer seu papel de cidadão e colocar em prática o consumo responsável:

Evite mercadorias com muitas embalagens
Evite comprar produtos “superembalados” e, sempre que possível, prefira os bens não-embalados (como, por exemplo, alimentos frescos). Embalagens do tipo “caixinha-dentro-de-um-saquinho-dentro-da-sacola-dentro-do-sacolão” geram uma quantidade enorme de lixo.
Procure comprar produtos em embalagens que tragam quantidades adequadas para sua família. Por exemplo: se a sua família é grande, compre as bebidas nas embalagens maiores; se for pequena, evite as embalagens grandes e, conseqüentemente, o desperdício.

Leve sua própria sacola ao fazer compras
Se puder, leve sua própria sacola ao fazer as compras. Assim você deixará de usar (e posteriormente descartar) vários sacos plásticos. Se não for possível, procure encher bem os saquinhos para reduzir a quantidade deles que você leva para casa e que irão parar no lixo.
Esse tipo de saco, que em São Paulo corresponde a 40% das embalagens jogadas no lixo, demora 450 anos para se decompor e ocupa de 15% a 20% do volume de um lixão, embora corresponda a apenas de 4% a 7% de sua massa. Portanto, seu uso deve ser evitado.

Compre somente o necessário
O primeiro passo para combater o excesso de lixo é combater o excesso de luxo. Evite fazer compras por impulso e não consuma além de suas possibilidades, para não desperdiçar (e não se endividar). Planeje bem antes de ir ao mercado e evite comprar grandes volumes para estoque. Quanto menos você comprar, menos vai jogar fora.

Evite o desperdício de alimentos
Ao preparar a comida, evite o desperdício: talos, folhas, sementes e cascas têm grande valor nutritivo e possibilitam variações no cardápio. Experimente receitas que aproveitem os alimentos ao máximo.
Além de formar lixo, desperdiçar comida significa também desperdiçar água (cerca de 70% da água disponível é usada na irrigação da lavoura) e poluir a atmosfera (cientistas estão ligando a atividade agrícola ao aquecimento global).
Se for jogar comida fora, pelo menos separe os alimentos em secos e molhados, para facilitar e incentivar a reciclagem.
Para conservar os alimentos, evite usar papel alumínio ou filme plástico. Prefira produtos duráveis como potes de plástico com vedação, tipo “Tupperware”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Resoluções editadas pelo TSE contribuíram para uma Campanha Eleitoral 2008 mais democrática e organizada

Novas regras devem valer também para as próximas eleições
Priscila Pavoni
Algumas das principais Leis Eleitorais referentes à propaganda foram alteradas pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE - e já entraram em vigor na Campanha 2008. O TSE, através da criação de resoluções que têm a finalidade de regulamentar e complementar as leis existentes, realiza freqüentemente mudanças necessárias para disciplinar as situações que podem ocorrer em eleições.
A Resolução 22.718, que dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha, é uma das que passaram a valer neste ano para atribuir regras importantes à propaganda dos candidatos. Suas principais definições restringem a utilização de placas, faixas e cartazes com medidas maiores que 4m² e proíbe a propaganda realizada através de brindes como bonés, camisetas, chaveiros, bottons, entre outros.
Também fica proibida a realização de showmícios e a apresentação, remunerada ou não, de artistas em comícios ou reuniões eleitorais. Além disso, todo material impresso de campanha deverá conter o número de inscrição do CNPJ ou CPF do responsável pela confecção, bem como de quem contratou o serviço e a respectiva tiragem.
Ainda para organizar a propaganda eleitoral, em 04 de junho de 2008 foi criada a Lei Complementar Municipal nº2281 que proibiu pintura, pichação, escrita e desenho de propaganda eleitoral em muros, paredes, fachadas, colunas ou qualquer lugar de uso privado.
Segundo o Chefe do Cartório Eleitoral Zona 305 responsável pela propaganda em Ribeirão Preto , Vitor Hugo Moretti de Freitas, as mudanças instauradas pelo TSE têm como objetivo garantir a propaganda democrática e justa para candidatos e eleitores. “As modificações são realizadas no intuito de fazer com que a campanha seja baseada em idéias, projetos e ideologias sem permitir privilégios eleitorais para os candidatos com mais recursos financeiros que poderiam coagir o eleitor com brindes e showmícios”, revela Moretti.
O Chefe do Cartório Eleitoral também ressalta a importância da colaboração de todos na prática da fiscalização para fazer cumprir as regras estabelecidas pela Lei. A Resolução nº22.624 que dispõe sobre representações, reclamações e pedidos de resposta, assegura o direito e os prazos dos cidadãos e candidatos que queiram denunciar uma irregularidade eleitoral. “A população deve procurar o Ministério Público para fazer suas denúncias enquanto que os candidatos, partidos e coligações podem instaurar diretamente reclamações, representações e pedidos de resposta”, afirma Moretti.
É possível citar um caso ocorrido em agosto desse ano no qual um candidato apresentou denuncia de utilização de placa com mais de 4m² e para isso abriu uma representação contra o candidato infrator. O Juiz aceitou a representação e condenou o candidato que desrespeitou a Lei à pagar multa no valor de R$ 20.000,00. O Tribunal, porém, decidiu reformar a decisão para aproximadamente R$ 5.000,00. Um exemplo de cumprimento da lei que serve de fato para incentivar as denúncias também por parte do cidadão comum.
Eleições 2010
Para as próximas eleições, as regulamentações realizadas em 2008 devem continuar valendo. Moretti explica que as resoluções são criadas sempre com a intenção de se tornarem permanentes, mas lembra que podem ocorrer novas situações que induzam à necessidade de alterar ou complementar novamente as mesmas leis. “A expectativa do Tribunal é de que a legislação seja duradoura e permaneça para as próximas eleições. Obviamente, podem ocorrer fatos que provoquem outras mudanças”, ressalta.
Em 2010 a população deverá votar para Presidente, Governadores, Senadores e Deputados Federais, Estaduais e Distritais. Quando a eleição é Nacional e Estadual, como será daqui a dois anos, a propaganda eleitoral fica sob responsabilidade dos Tribunais Regionais Eleitorais – TRE - e do TSE, diferente das eleições Municipais deste ano, em que a propaganda ficou a cargo do Cartório Eleitoral.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vídeo produzido pela Globo com abordagem no processo de produção do JN: fidelidade ao público ?

Priscila Pavoni

Através do vídeo produzido pela emissora Globo, podemos adquirir grandes conhecimentos sobre os recursos utilizados para produzir um jornal televisivo no estilo do JN. Muito foi acrescentado às nossas idéias sobre todo o processo e o esforço pela realização de um jornal diário deve ser reconhecido assim como o mérito pertencente à toda a equipe e não somente aos poucos profissionais que podemos conhecer pela televisão todos os dias.
É fato que há muito de profissionalismo e dedicação, mas também é fato que muito existe em contradições, teorias infundadas e práticas talvez não tão adequadas ao que se prega de um jornalismo isento de parcialidades e conveniências. Obviamente, não poderíamos constatar tais posições adversas e prejudiciais à boa imagem da emissora Globo em um vídeo produzido pela mesma.
Partimos então para a análise de uma crítica escrita pelo professor Laurindo Lalo Leal Filho, enviada à revista Carta Capital e publicada no site Observatório da Imprensa. O texto incisivo, ataca diretamente a postura de Bonner como editor-chefe do JN e explicita ao público alguns contrastes no mínimo intrigantes da conduta de produção, seleção e argumentação do JN em assuntos de extremo interesse da população brasileira.
O professor utiliza seu texto para comentar sua experiência junto aos demais professores de diversas faculdades convidados à assistir uma reunião de pauta rotineira do JN em novembro de 2005. Expõe categoricamente sua perplexidade ao perceber que os assuntos são escolhidos ou descartados sem receberem a atenção devida e muitos dos selecionados sequer apresentam nas reportagens todas as questões envolvidas. Torna-se mais cômodo seguir pelo enfoque que garante a audiência.
O relato causa maior indignação quando Lalo nos conta que algumas informações simplesmente são extintas do jornal sob ordem do editor-chefe que se julga no direito de avaliar a consciência e inteligência dos telespectadores. Assim, determinadas notícias, em sua maior parte de grande importância, não chegam aos cidadãos, pois o JN julga que estes não as entenderiam.
Não fica difícil concluir que talvez não seja muito inteligente de nossa parte confiar em um telejornal baseado em tais princípios. Também não é difícil imaginar a situação constrangedora daqueles professores convidados à observar as decisões de um jornal que deveria trabalhar em conjunto com os educadores no esclarecimento e crescimento intelectual dos brasileiros, mas acaba por fazer o contrário propositadamente.
Em resposta, William Bonner encaminhou texto defendendo seu ponto de vista e citando a importância de manter a clareza nos assuntos tratados no JN. Mas, manter a clareza significa excluir informações importantes do noticiário ? O grande desafio de se fazer jornalismo de qualidade não é justamente conferir clareza aos variados temas de interesse da população, principalmente aos mais complexos ? Deixar mais claro o que já é claro não confere mérito algum a qualquer jornalista e eximir-se da responsabilidade profissional de abordar questões consideradas de difícil entendimento somente desvaloriza a imprensa brasileira.
Bonner finaliza sua resposta ao argumentar que seleciona as informações considerando que os trabalhadores estão cansados ao fim do dia, o que os impede de raciocinar profundamente sobre os temas abordados no jornal. Talvez os cidadãos estejam mesmo cansados, mas de serem subestimados pelo jornalismo infiel, hipócrita e desmotivante da TV Globo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Reforma Ortográfica

É pessoal, parece que vamos ter que aprender a escrever novamente ... para complicar um pouquinho nossa vida, algumas regras gramaticais não vão escapar das modificações. Especialmente aos meus amigos da área de comunicação, seguem as mudanças que ocorrerão em nossa língua a partir de janeiro de 2009:

O alfabeto agora é formado por 26 letras – foram incluídas K, W e Y;
Não existe mais o trema, apenas em casos de nomes próprios ex: Müller;
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas – assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, jiboia, apoio, heroico, paranoico;
Obs: nos ditongos abertos (eu) o acento continua – chapéu, véu, céu, ilhéu.
Obs2: nos ditongos abertos de oxítonas e monossílabas o acento continua – herói, constrói, anéis, papéis, dói.
Os hiatos “oo” e “ee” não são mais acentuados – enjoo, voo, leem, veem, perdoo, abençoo, creem;
Não existe mais acento diferencial em palavras homógrafas – para (verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo);
Obs: o acento permanece somente no verbo poder – pôde, pôr;
Não se acentua mais a letra “u” quando rizotônicas, quando precedido de “g” ou “q” - apazigue, averigue, enxague, oblique;
Não se acentuam mais “i” e “u” tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo – baiuca, cheiinho, saiinha, feiura;
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas por “r” ou “s” sendo que essas devem ser dobradas – antessala, antissocial, antirrugas, ultrassonografia, extrasseco, suprarrenal, autorregulamentação;
Obs: em prefixos terminados por “r” permanece o hífen quando a palavra seguinte começar pela mesma letra – hiper-realista, inter-racial, inter-relação, super-resistente.
O hífen não é mais utilizado em prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas com outra vogal – autoafirmação, autoajuda, autoescola, autoestrada, semiautomático, semiaberto, extraescolar, extraoficial, contraindicação;
O hífen não é mais utilizado em compostos – mandachuva, paraquedas, paralama, parabrisa;
Obs: O uso do hífen continua nos compostos que não contêm elemento de ligação e constituem unidades semânticas, zoológicas e botânicas – ano-luz, azul-escuro, segunda-feira, guarda-chuva, conta-gotas, erva-doce, couve-flor, bem-te-vi, tenente-coronel, médico-cirurgião.
O hífen é utilizado quando o prefixo é terminado em vogal e a palavra seguinte é iniciada pela mesma vogal – anti-inflamatório, micro-ônibus, micro-ondas, micro-orgânico, anti-inflacionário;
Obs: Prefixo “co” jamais utiliza hífen – coexistente.
O uso do hífen permanece nos prefixos “ex”, “vice” e “soto” - ex-marido, vice-presidente, soto-mestre;
O uso do hífen permanece em palavras com prefixos “circum” e “pan” quando a palavra seguinte inicia-se em vogal, “m” ou “n” - circum-navegação, pan-americano;
O uso do hífen permanece em palavras de prefixos “pré”, “pró” e “pós” quando a palavra seguinte tem significado próprio – pré-natal, pós-graduação;
O uso do hífen permanece em palavras formadas com “além”, “aquém”, “recém” e “sem” - além-mar, recém-nascido, recém-casado, sem-teto;
Não existe mais hífen em locuções de qualquer tipo (verbais, substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais) – cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de;
Obs: Exceções – água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

Fonte: Marília Mendes e Beatriz Fonseca

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Biocombustíveis podem garantir auto-suficiência energética ao Brasil

Utilização de energias renováveis é sinônimo de vantagens econômicas e ambientais frente aos países desenvolvidos
Priscila Pavoni
Nos últimos meses o Brasil tornou-se o palco principal das discussões que envolvem a produção dos biocombustíveis. O tema interessa especialmente aos ambientalistas, que acreditam em sua utilização como forma de garantir a sustentabilidade do país e aos economistas e políticos, seguros de que os investimentos na produção levarão o Brasil rumo ao desenvolvimento sólido.
Segundo informações do Pólo Nacional de Biocombustíveis – ESALQ/USP, os biocombustíveis são energias renováveis, derivados de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica. Podem ser usados isoladamente, mas na maioria das vezes, são adicionados aos combustíveis convencionais. São exemplos, o biodiesel, o etanol, o metanol, o metano e o carvão vegetal.
O processo mais comum de produção do biodiesel se faz através da reação de óleo vegetal ou gordura animal com um álcool. A primeira patente do biodiesel no mundo, foi registrada em 1980 por um professor da Universidade Federal do Ceará, mas o governo brasileiro somente lançou oficialmente o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel em dezembro de 2004. No início de 2008, a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel convencional passou a ser obrigatória e, a partir de 2013, a adição passará a ser de 5%.
O uso do biodiesel traz diversos benefícios para o meio ambiente, entre eles, redução dos gases do efeito estufa e de outros poluentes atmosféricos e redução do consumo de combustíveis fósseis (não-renováveis). Em seu processo de fabricação, são gerados resíduos e subprodutos industriais líquidos e sólidos que podem ser reutilizados pelas indústrias químicas, de alimentos e até para a nutrição animal, porém, ainda são necessários investimentos em pesquisas para viabilizar economicamente a produção do biodiesel.
O Brasil, segundo pesquisa realizada pela agrônoma Thereza Christina Pippa Rochelle, é reconhecido mundialmente pelo pioneirismo na introdução do etanol em sua matriz energética. Em 1975 foi lançado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e mais tarde surgiram os primeiros veículos biocombustíveis. Dados da ANFAVEA revelam que as vendas desses veículos já representavam 53% em 2005.
Se considerarmos a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional e a incerteza da oferta dos combustíveis fósseis, os biocombustíveis serão responsáveis, em um futuro próximo, por suprir a demanda mundial. Nos últimos anos, é notável o aumento da produção de cana-de-açúcar para atender às necessidades internas do Brasil e também às exportações.
A biomassa é mais uma parte integrante na produção dos biocombustíveis. O bacharelando em química da Universidade de Guarulhos, Wendel Martins da Silva, define a biomassa como uma fonte de energia limpa e renovável, disponível em grande abundância e derivada de materiais orgânicos. Segundo ele, todos os organismos existentes capazes de realizar fotossíntese, ou derivados deles, podem ser utilizados como biomassa. São exemplos, a cana-de-açúcar, restos de madeira, estrume de gado, óleo vegetal e até mesmo lixo urbano.
Muito está sendo feito para possibilitar uma extração de energia cada vez maior da biomassa, já que ela reduz primeiramente a quantidade de lixo existente no planeta por utilizá-lo como matéria-prima e ainda diminui a dependência dos países na necessidade de adquirir petróleo. Além disso, o custo para implantação e manutenção do processo é muito baixo e os resíduos emitidos na queima não interferem no efeito estufa.
A viabilidade da produção dos biocombustíveis aliada aos benefícios proporcionados ao meio ambiente, configuram uma situação favorável ao Brasil. A adoção de uma posição séria por parte do governo, baseada em investimentos e pesquisas no setor, pode fazer dos biocombustíveis, o principal passo para conquistarmos autonomia energética, crescimento e estabilidade econômica.

Brasil busca posição de destaque em cenário internacional de biocombustíveis

Conhecimentos expressivos na área energética configuram base sólida para atuação mundial do país
Priscila Pavoni
Preocupados com as mudanças estruturais que ocorrem invariavelmente no planeta e com a possibilidade de escassez dos combustíveis fósseis, principalmente em potências que mantém grande parte de sua economia soberana graças ao petróleo, diversos países têm buscado aprimorar seus conhecimentos e colocar em prática a produção dos biocombustíveis para suprir suas demandas internas e evitar a diminuição de seus lucros com o comércio exterior.
Na atual conjuntura, sem dúvida podemos afirmar que o Brasil encontra-se em posição privilegiada, dadas as pesquisas desenvolvidas há algumas décadas e seu pioneirismo e experiência nos processos de produção e utilização das energias renováveis em território nacional. È certo que a capacidade mundial instalada de extração de petróleo não atende à necessidade global de energia. A partir desta contestação está imposta a corrida por novas fontes de energia e a adequação das políticas públicas energéticas à nova realidade.
O Brasil detêm grande conhecimento acumulado na área dos biocombustíveis, especialmente se nos referirmos ao uso de etanol da cana-de-açúcar como combustível. Segunda dados do Ministério das Relações Exteriores, nosso país reúne condições ideais para se tornar um grande produtor de biodiesel, pois possui extensas áreas agricultáveis com solo e clima favoráveis ao plantio de oleoginosas. Permanecem ainda como únicos obstáculos para o uso dos biocombustíveis, desafios tecnológicos e econômicos que precisam ser superados.
Do ponto de vista ambiental, todo o esforço para a utilização das energias renováveis é satisfatório e justificável. O Ministério das Relações Exteriores divulgou que só no Brasil, o uso do etanol no período de 1970 a 2005, significou a não emissão de 644 milhões de toneladas de CO2. Os dados comprovam que o país é protagonista no processo de transformação dos biocombustíveis em commodities energéticas mundiais.
Do Brasil para o mundo
A estratégia global do Brasil é baseada em diversas ações estruturadas. O país defende a adoção de padrões e normas técnicas internacionais que foquem a criação de um mercado mundial de biocombustíveis. O objetivo principal é estimular estudos científicos e inovações tecnológicas que promovam a sustentabilidade dos países através da utilização das energias renováveis.
O governo também busca incessantemente a integração energética na América do Sul, para fortalecer a economia regional e proporcionar riqueza e desenvolvimento de maneira sustentável a todos os países envolvidos. Além disso, as iniciativas ainda abrangem incentivos acadêmicos para possibilitar trocas de experiências com todos os países que estejam implantando os processos de produção dos biocombustíveis. Foram assinados memorandos com Paraguai, Uruguai, Chile, Equador, Itália e EUA como forma de promover a cooperação mútua para o desenvolvimento energético mundial.
O Programa Brasileiro de Certificações em Biocombustíveis, instaurado pelo INMETRO é uma importante contribuição para a superação de possíveis barreiras internacionais ao biocombustível brasileiro, já que representa uma forma de atestar com credibilidade que o processo de produção brasileiro segue requisitos estabelecidos em normas e regulamentos.
Critérios técnicos visam garantir a qualidade do produto final e explicitam os impactos socioambientais do processo de produção. Os princípios e indicadores dessa produção ainda devem ser amplamente discutidos no mundo todo, por isso é de extrema importância que o Brasil saia na frente no que tange à organização das regras e diretrizes que definirão o futuro das fontes de energia.

Consumismo desenfreado ameaça qualidade de vida das futuras gerações

Humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra, segundo dados do Instituto Akatu
Priscila Pavoni
Consumir é necessário para a sobrevivência, mas o consumo exagerado e irresponsável que se vê adotar como hábito desde a Revolução Industrial é, sem dúvida, uma escolha que traz desequilíbrios ao meio ambiente colocando em risco a vida do planeta nas próximas décadas. Estudo divulgado no relatório Estado do Mundo 2004 do Worldwatch Institute, afirma que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.
O Instituto Akatu, organização não-governamental que informa e sensibiliza cidadãos para o consumo consciente, afirma que “se toda a população do mundo consumisse como os norte-americanos e europeus, precisaríamos hoje, de quatro planetas Terra”.
Além disso, revela que “a humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra”.Parte dessa responsabilidade pelo consumo desenfreado é atribuída pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) na publicação Consumo Sustentável: manual de educação, à globalização e ao incentivo da publicidade através da mídia. Segundo o manual, o consumismo não existiria sem a publicidade, ferramenta fundamental para influenciar padrões de consumo.
O resultado desse processo acaba refletindo diretamente na qualidade de vida das pessoas, que por muitas vezes adquirem produtos que não necessitam, acabam descartando-os, produzindo mais lixo e são obrigadas a ocupar o tempo disponível com atividades que lhes proporcione mais dinheiro para satisfazerem as necessidades que acreditam ter.
O publicitário Milton Pimentel defende a idéia de que a publicidade tem que exercer sua função de garantir as vendas de seus clientes. “O papel da publicidade é incentivar o consumo. Não há outra maneira de aumentar as vendas de um produto ou serviço”, destaca.
É visível a urgência da conscientização de todos sobre o consumo racional. Na hora de ir às compras evitar o ato de consumo impulsivo e optar por produtos produzidos por empresas comprometidas com o meio ambiente, sem se esquecer de não utilizar embalagens plásticas, já é um bom começo para tornar-se um cidadão responsável no cotidiano. Adquirir o hábito de separar o lixo para a reciclagem, economizar energia e aproveitar ao máximo os alimentos são medidas sustentáveis importantes para garantir a saúde do planeta.
Os sinais de mudança surgem aos poucos, mas já nos proporcionam certo alívio. Segundo pesquisa realizada pela agência de publicidade McCann-Erickson, conhecida como Pulse, para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os símbolos materiais associados a sucesso (carros, roupas, eletrônicos e etc..), utilizados comumente nas campanhas publicitárias, estão abrindo espaço para os símbolos imateriais como ter controle sobre a vida, ter um bom relacionamento familiar e um estilo de vida simples.
Outro exemplo bastante significativo de conscientização está sendo praticado pela Unicamp. O Trote da Cidadania pelo Consumo Consciente é um projeto desenvolvido em parceria com o Akatu. Os alunos organizam-se na disseminação das práticas do consumo consciente há quatro anos na universidade. No início do ano passado a comissão do trote distribuiu 8 mil canecas aos alunos recém-chegados para estimular seu uso em lugar dos copinhos descartáveis. O projeto concorreu com outras 200 faculdades e ganhou o prêmio Trote da Cidadania 2007, promovido pela Fundação Educar DPaschoal.
A responsabilidade empresarial começa a ser fator decisivo de compra para os consumidores e o dever é continuar contribuindo com projetos e ações práticas que demonstrem a importância do consumo consciente às pessoas. Sustentabilidade é mais do que conservação ambiental, é a vida das próximas gerações nas mãos da sociedade de hoje.

Má alimentação é o principal fator de doenças entre os jovens

"Estatísticas do Ministério da Saúde mostram que os jovens alimentam-se de maneira errada", afirma nutrologista
Priscila Pavoni

O estilo de vida das pessoas na sociedade moderna não é mais aquele em que há tempo disponível para todas as obrigações. As cobranças de hoje, resultantes das várias tarefas que o mercado de trabalho atribui às pessoas e da necessidade de se atualizar constantemente nos estudos, em busca de estabilidade e qualidade de vida, muitas vezes acaba tendo o efeito contrário: atender a essas exigências impõe rotinas difíceis de serem cumpridas e, tiram a atenção de fatores importantes para a saúde do corpo e da mente.Manter hábitos alimentares saudáveis é um grande desafio em meio ao estresse diário, mas essa é a única forma de garantir que todo esse esforço um dia poderá ser aproveitado plenamente. Esquecer de almoçar, deixar o lanche para depois ou dar preferência a produtos industrializados aos naturais, no intervalo da faculdade, pode ser o estopim para futuras complicações. Hipertensão, obesidade, colesterol alto, diabetes e gastrite estão na lista das doenças que mais atingem os jovens que têm uma vida agitada e não prestam atenção no que andam comendo.A mudança de hábitos não é fácil, reeducar-se em meio a correria pode parecer impossível, mas o esforço vale a pena. Definir e manter horários fixos para as refeições e adequá-las a uma dieta leve e saudável já é um começo para garantir o bom funcionamento do organismo e conseqüentemente mais energia para o dia-a-dia.

Conseqüências do descuido

Muitos são os exemplos de jovens que não se importam em se prevenir de complicações causadas pela falta de nutrientes e pelo excesso de substâncias malignas no organismo. Apesar da cantina da faculdade oferecer opções saudáveis, como sucos naturais, frutas, vitaminas e barras de cereais, a gerente administrativa, Nancy da Graça Magazona revela que a procura por salgados, pães e refrigerantes continua alta. “Algumas pessoas optam pelos sanduíches naturais e sucos, mas são poucos. A maioria ainda é adepta dos produtos industrializados e calóricos”, afirma.A estudante do curso de Publicidade e Propaganda, Natalia Lippi, de 22 anos, trabalha o dia todo e não resiste à tentação de comer um lanche bem recheado no intervalo das aulas. “Adoro pães, hambúrgueres e fast-food. Gostaria de mudar meus hábitos, mas não consigo comer frutas e verduras”, conta.O professor nutrologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, José Ernesto dos Santos, considera a boa alimentação um fator decisivo na prevenção de doenças futuras. “Estatísticas do Ministério da Saúde, mostram que os jovens alimentam-se de maneira cada vez mais errada. Desse modo é possível prever que a incidência de diversas doenças, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e gastrites tende a aumentar”, declara. O nutrologista ainda revela que o descaso com a alimentação, aliado ao uso de cigarros e bebidas em excesso, é um perigo para o coração. “A mistura de bebidas alcoólicas com o cigarro, a inatividade física e maus hábitos alimentares é um coquetel perfeito para aumentar os riscos de infarto”, completa.

A virada

Optar por frutas, verduras, fibras e grelhados ao invés de alimentos industrializados e pouco nutritivos é a única forma de garantir uma vida saudável. A estudante de ciências contábeis, Paola , 22 anos, sentiu rapidamente os efeitos da seleção errada dos alimentos que colocava no prato e decidiu reeducar-se. “Minha alimentação era toda desregrada, comia salgados, frituras e abusava do refrigerante. Com isso, desenvolvi uma gastrite nervosa e tive que mudar meus hábitos. O primeiro passo foi aprender a gostar de saladas variadas e esquecer os lanches de uma vez”, conta.A nutricionista Vivian H. Amin revela que a reeducação alimentar é um processo que requer muita disciplina e vontade. Segundo ela, alguns cuidados são importantes para concretizar a mudança. “É preciso evitar o jejum prolongado, respeitar o horário das refeições e comer devagar. O segredo maior é diversificar. Todos os grupos alimentares devem ser incluídos no cardápio, só assim o organismo encontrará seu equilíbrio”, afirma Vivian.