quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Biocombustíveis podem garantir auto-suficiência energética ao Brasil

Utilização de energias renováveis é sinônimo de vantagens econômicas e ambientais frente aos países desenvolvidos
Priscila Pavoni
Nos últimos meses o Brasil tornou-se o palco principal das discussões que envolvem a produção dos biocombustíveis. O tema interessa especialmente aos ambientalistas, que acreditam em sua utilização como forma de garantir a sustentabilidade do país e aos economistas e políticos, seguros de que os investimentos na produção levarão o Brasil rumo ao desenvolvimento sólido.
Segundo informações do Pólo Nacional de Biocombustíveis – ESALQ/USP, os biocombustíveis são energias renováveis, derivados de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica. Podem ser usados isoladamente, mas na maioria das vezes, são adicionados aos combustíveis convencionais. São exemplos, o biodiesel, o etanol, o metanol, o metano e o carvão vegetal.
O processo mais comum de produção do biodiesel se faz através da reação de óleo vegetal ou gordura animal com um álcool. A primeira patente do biodiesel no mundo, foi registrada em 1980 por um professor da Universidade Federal do Ceará, mas o governo brasileiro somente lançou oficialmente o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel em dezembro de 2004. No início de 2008, a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel convencional passou a ser obrigatória e, a partir de 2013, a adição passará a ser de 5%.
O uso do biodiesel traz diversos benefícios para o meio ambiente, entre eles, redução dos gases do efeito estufa e de outros poluentes atmosféricos e redução do consumo de combustíveis fósseis (não-renováveis). Em seu processo de fabricação, são gerados resíduos e subprodutos industriais líquidos e sólidos que podem ser reutilizados pelas indústrias químicas, de alimentos e até para a nutrição animal, porém, ainda são necessários investimentos em pesquisas para viabilizar economicamente a produção do biodiesel.
O Brasil, segundo pesquisa realizada pela agrônoma Thereza Christina Pippa Rochelle, é reconhecido mundialmente pelo pioneirismo na introdução do etanol em sua matriz energética. Em 1975 foi lançado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e mais tarde surgiram os primeiros veículos biocombustíveis. Dados da ANFAVEA revelam que as vendas desses veículos já representavam 53% em 2005.
Se considerarmos a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional e a incerteza da oferta dos combustíveis fósseis, os biocombustíveis serão responsáveis, em um futuro próximo, por suprir a demanda mundial. Nos últimos anos, é notável o aumento da produção de cana-de-açúcar para atender às necessidades internas do Brasil e também às exportações.
A biomassa é mais uma parte integrante na produção dos biocombustíveis. O bacharelando em química da Universidade de Guarulhos, Wendel Martins da Silva, define a biomassa como uma fonte de energia limpa e renovável, disponível em grande abundância e derivada de materiais orgânicos. Segundo ele, todos os organismos existentes capazes de realizar fotossíntese, ou derivados deles, podem ser utilizados como biomassa. São exemplos, a cana-de-açúcar, restos de madeira, estrume de gado, óleo vegetal e até mesmo lixo urbano.
Muito está sendo feito para possibilitar uma extração de energia cada vez maior da biomassa, já que ela reduz primeiramente a quantidade de lixo existente no planeta por utilizá-lo como matéria-prima e ainda diminui a dependência dos países na necessidade de adquirir petróleo. Além disso, o custo para implantação e manutenção do processo é muito baixo e os resíduos emitidos na queima não interferem no efeito estufa.
A viabilidade da produção dos biocombustíveis aliada aos benefícios proporcionados ao meio ambiente, configuram uma situação favorável ao Brasil. A adoção de uma posição séria por parte do governo, baseada em investimentos e pesquisas no setor, pode fazer dos biocombustíveis, o principal passo para conquistarmos autonomia energética, crescimento e estabilidade econômica.

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