Conhecimentos expressivos na área energética configuram base sólida para atuação mundial do país
Priscila Pavoni
Preocupados com as mudanças estruturais que ocorrem invariavelmente no planeta e com a possibilidade de escassez dos combustíveis fósseis, principalmente em potências que mantém grande parte de sua economia soberana graças ao petróleo, diversos países têm buscado aprimorar seus conhecimentos e colocar em prática a produção dos biocombustíveis para suprir suas demandas internas e evitar a diminuição de seus lucros com o comércio exterior.
Na atual conjuntura, sem dúvida podemos afirmar que o Brasil encontra-se em posição privilegiada, dadas as pesquisas desenvolvidas há algumas décadas e seu pioneirismo e experiência nos processos de produção e utilização das energias renováveis em território nacional. È certo que a capacidade mundial instalada de extração de petróleo não atende à necessidade global de energia. A partir desta contestação está imposta a corrida por novas fontes de energia e a adequação das políticas públicas energéticas à nova realidade.
O Brasil detêm grande conhecimento acumulado na área dos biocombustíveis, especialmente se nos referirmos ao uso de etanol da cana-de-açúcar como combustível. Segunda dados do Ministério das Relações Exteriores, nosso país reúne condições ideais para se tornar um grande produtor de biodiesel, pois possui extensas áreas agricultáveis com solo e clima favoráveis ao plantio de oleoginosas. Permanecem ainda como únicos obstáculos para o uso dos biocombustíveis, desafios tecnológicos e econômicos que precisam ser superados.
Do ponto de vista ambiental, todo o esforço para a utilização das energias renováveis é satisfatório e justificável. O Ministério das Relações Exteriores divulgou que só no Brasil, o uso do etanol no período de 1970 a 2005, significou a não emissão de 644 milhões de toneladas de CO2. Os dados comprovam que o país é protagonista no processo de transformação dos biocombustíveis em commodities energéticas mundiais.
Do Brasil para o mundo
A estratégia global do Brasil é baseada em diversas ações estruturadas. O país defende a adoção de padrões e normas técnicas internacionais que foquem a criação de um mercado mundial de biocombustíveis. O objetivo principal é estimular estudos científicos e inovações tecnológicas que promovam a sustentabilidade dos países através da utilização das energias renováveis.
O governo também busca incessantemente a integração energética na América do Sul, para fortalecer a economia regional e proporcionar riqueza e desenvolvimento de maneira sustentável a todos os países envolvidos. Além disso, as iniciativas ainda abrangem incentivos acadêmicos para possibilitar trocas de experiências com todos os países que estejam implantando os processos de produção dos biocombustíveis. Foram assinados memorandos com Paraguai, Uruguai, Chile, Equador, Itália e EUA como forma de promover a cooperação mútua para o desenvolvimento energético mundial.
O Programa Brasileiro de Certificações em Biocombustíveis, instaurado pelo INMETRO é uma importante contribuição para a superação de possíveis barreiras internacionais ao biocombustível brasileiro, já que representa uma forma de atestar com credibilidade que o processo de produção brasileiro segue requisitos estabelecidos em normas e regulamentos.
Critérios técnicos visam garantir a qualidade do produto final e explicitam os impactos socioambientais do processo de produção. Os princípios e indicadores dessa produção ainda devem ser amplamente discutidos no mundo todo, por isso é de extrema importância que o Brasil saia na frente no que tange à organização das regras e diretrizes que definirão o futuro das fontes de energia.
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