Humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra, segundo dados do Instituto Akatu
Priscila Pavoni
Consumir é necessário para a sobrevivência, mas o consumo exagerado e irresponsável que se vê adotar como hábito desde a Revolução Industrial é, sem dúvida, uma escolha que traz desequilíbrios ao meio ambiente colocando em risco a vida do planeta nas próximas décadas. Estudo divulgado no relatório Estado do Mundo 2004 do Worldwatch Institute, afirma que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.
O Instituto Akatu, organização não-governamental que informa e sensibiliza cidadãos para o consumo consciente, afirma que “se toda a população do mundo consumisse como os norte-americanos e europeus, precisaríamos hoje, de quatro planetas Terra”.
Além disso, revela que “a humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra”.Parte dessa responsabilidade pelo consumo desenfreado é atribuída pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) na publicação Consumo Sustentável: manual de educação, à globalização e ao incentivo da publicidade através da mídia. Segundo o manual, o consumismo não existiria sem a publicidade, ferramenta fundamental para influenciar padrões de consumo.
O resultado desse processo acaba refletindo diretamente na qualidade de vida das pessoas, que por muitas vezes adquirem produtos que não necessitam, acabam descartando-os, produzindo mais lixo e são obrigadas a ocupar o tempo disponível com atividades que lhes proporcione mais dinheiro para satisfazerem as necessidades que acreditam ter.
O publicitário Milton Pimentel defende a idéia de que a publicidade tem que exercer sua função de garantir as vendas de seus clientes. “O papel da publicidade é incentivar o consumo. Não há outra maneira de aumentar as vendas de um produto ou serviço”, destaca.
É visível a urgência da conscientização de todos sobre o consumo racional. Na hora de ir às compras evitar o ato de consumo impulsivo e optar por produtos produzidos por empresas comprometidas com o meio ambiente, sem se esquecer de não utilizar embalagens plásticas, já é um bom começo para tornar-se um cidadão responsável no cotidiano. Adquirir o hábito de separar o lixo para a reciclagem, economizar energia e aproveitar ao máximo os alimentos são medidas sustentáveis importantes para garantir a saúde do planeta.
Os sinais de mudança surgem aos poucos, mas já nos proporcionam certo alívio. Segundo pesquisa realizada pela agência de publicidade McCann-Erickson, conhecida como Pulse, para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os símbolos materiais associados a sucesso (carros, roupas, eletrônicos e etc..), utilizados comumente nas campanhas publicitárias, estão abrindo espaço para os símbolos imateriais como ter controle sobre a vida, ter um bom relacionamento familiar e um estilo de vida simples.
Outro exemplo bastante significativo de conscientização está sendo praticado pela Unicamp. O Trote da Cidadania pelo Consumo Consciente é um projeto desenvolvido em parceria com o Akatu. Os alunos organizam-se na disseminação das práticas do consumo consciente há quatro anos na universidade. No início do ano passado a comissão do trote distribuiu 8 mil canecas aos alunos recém-chegados para estimular seu uso em lugar dos copinhos descartáveis. O projeto concorreu com outras 200 faculdades e ganhou o prêmio Trote da Cidadania 2007, promovido pela Fundação Educar DPaschoal.
A responsabilidade empresarial começa a ser fator decisivo de compra para os consumidores e o dever é continuar contribuindo com projetos e ações práticas que demonstrem a importância do consumo consciente às pessoas. Sustentabilidade é mais do que conservação ambiental, é a vida das próximas gerações nas mãos da sociedade de hoje.
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